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Uma volta em torno Sol. O que mudou nesse tempo?

Hoje este espaço, no qual compartilho minha incursão pelo mundo da xilogravura e da cultura popular, completa um ano de existência ou uma volta inteira ao redor do Sol. Os aniversários são, ao mesmo tempo, pontos de fechamento e de abertura: completa-se um ciclo, um “giro”, e começa-se uma nova marcação do tempo. Cumpre-se o rito de celebrar e também de avaliar o percurso. Nesse ano, postei pouco, na cadência do possível. Aqui partilhei minhas percepções e projeções (no sentido de representação) de ideias e indagações escritas para compartilhar com vocês sobre as coisas que me atravessam na arte e na existência, sem ainda assimilar a velocidade e a voracidade do algoritmo. Olho para o espelho e pergunto, nesse espaço-tempo, o que mudou, de fato, no campo da xilogravura , no lugar da mulher na xilogravura , das artes visuais, do patrimônio cultural imaterial? Muita luta, desde sempre, pois o debate em torno da presença feminina não como concessão, mas como direito e conquista avan...
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“Existirmos, a que será que se destina?”

"Sofia". Ilustração interna do livro O Dragão da Maldade e a Donzela Guerreira     (Palavras, 2022) Peço licença a Caetano Veloso para estampar no título deste texto a frase emblemática com que ele abre o clássico “Cajuína”. Li, esta semana, um artigo sobre a “xilogravura popular”, publicado na página NE9 , em 15 de setembro de 2025, movida pela curiosidade e também para ver o que mudou e o que permanece no tocante às mulheres que se dedicam a esta arte. Assinado por Eliseu Lins, o artigo Xilogravura: conheça os cinco principais mestres dessa cultura popular nordestina é uma prova cabal de como o olhar androcêntrico sobre a produção da xilogravura segue invisibilizando e, por tabela, apagando a contribuição das mulheres. Mas vamos por partes. Trata-se de uma lista, isto é, os cinco xilogravadores que, na opinião do autor, são os principais nomes desta arte. Eliseu Lins aponta J. Borges, Abraão Batista, Amaro Francisco, Dila e José Lourenço como os principais expoen...

Instituto Cordel sem Fronteiras nasce celebrando a cultura nordestina

Olá, pessoal! Desta vez o assunto vai além da xilogravura de autoria feminina e do combate ao machismo e ao apagamento de mulheres xilogravadoras entre pesquisadores e instituições de salvaguarda. O motivo desta postagem é para comunicar que, neste mês de dezembro, depois de muito trabalho, conseguimos registrar o Instituto Cordel sem Fronteiras , do qual estou presidenta pelos próximos quatro anos. Para o primeiro mandato foi eleita, além de mim, Nilza Dias , reconhecida cordelista, defensora de pautas ligadas à diversidade, como vide-presidenta, sendo a diretoria composta ainda por nomes consagrados do cordel e da produção cultural, como Elielma Carvalho , Maria Celma e Paulo Dantas . Uma diretoria com oitenta por cento de mulheres em sua composição, o que só reforça nosso compromisso contra a misoginia, preconceitos de cor e gênero e a exclusão da Literatura de Cordel de feiras e eventos literários. Contamos, nesta etapa de nossa história, com a parceria da Editora Nova Alexand...

CORDEL E TRADIÇÃO ORAL NO PNLD LITERÁRIO

R epostado do blog Cordel Atemporal .  Por: Marco Haurélio Professoras e professores, saudações! Informo, com muita alegria, que tive cinco títulos selecionados no PNLD Literário 2024/2027 (Anos Finais do Ensino Fundamental). São três jornadas épicas em cordel e duas coletâneas de contos tradicionais, colhidas da fonte tradição, uma delas em parceria com o professor Rogério Soares. Como está explicado na resenha da obra “Contos encantados do Brasil”, o que vale para as demais obras, os nossos textos proporcionam “a ampliação do repertório literário dos estudantes, contribuindo para o desenvolvimento das habilidades de leitura, interpretação e compreensão textual”. TÍTULOS SELECIONADOS : A Jornada Heroica de Maria Xilogravuras de Lucélia Borges EDITORIAL:  MELHORAMENTOS DE SAO PAULO LIVRARIAS LIMITADA CATEGORIA:  6º e 7º anos do Ensino Fundamental GÊNERO:  Conto, crônica, novela, teatro, texto da tradição popular CÓDIGO : 0311P240301000000 Clique AQUI para acessar a o...

87 anos da morte de Lampião e Maria Bonita

No dia 28 de julho de 1938, na localidade Angico, município de Porto Redondo, Sergipe, tombavam, sem chance de defesa, Lampião, Maria de Déa (Maria Bonita) e mais nove cangaceiros. Foram emboscados por soldados da volante alagoana comandada por João Bezerra, um antigo colaborador do grupo que mudara de lado. No livro O sonho de Lampião (Principis, 2022), no capítulo "Não se faz parelha com a traição, Marco Haurélio compôs este poema sem título, que serve de epígrafe à última parte do romance histórico: A vida é sonho tão breve que passa e, às vezes, não vemos. Se vivemos ou sonhamos, sabemos, mas não sabemos. E, se a morte é um despertar, Ainda mortos, vivemos.   Quem é que diz o que é certo quando o erro vem de cima? Quem diz que lima é limeira? Quem diz que limeira é lima? Quem diz que meu verso é frouxo, pegue o sentido da rima.   Meu senhor, minha senhora, o meu pensamento enfeixa uma verdade, porém não tome isso como queixa: quem mata o corpo não mata os sonhos que a gen...

Livros que ilustrei: A Jornada Heroica de Maria (Melhoramentos, 2019)

Dos livros que ilustrei em parceria com Marco Haurélio, A jornada heroica de Maria é especial em mais de um sentido: foi nossa primeira parceria artística, no caso, autor/ilustradora e, também, é uma das belas histórias da tradição oral brasileira. A recriação em cordel não fica atrás: é lírica, é dramática, é épica com protagonismo feminino numa aventura de autodescoberta, de autoconhecimento. Li, lembrando do que disse a saudosa mestra Jette Bonaventure: que as histórias dos contos de fadas dizem muito mais do que dá a entender a camada mais superficial de seu enredo. E cordelistas como Marco Haurélio, intuitivamente, sabem extrair do inconsciente coletivo as mensagens que tocarão corações e mentes de leitores. No tocante ao trabalho, foi uma delícia trabalhar com as meninas da Melhoramentos: sensíveis, acolhedoras, compreensivas. Entenderam as dificuldades, prorrogaram os prazos, deram o melhor tratamento às imagens, produzindo um livro poderoso. Eram muitas as referências, mas b...

Rituais da festa de São João Batista

Por: Lucélia Borges/Xilo-Mulher  Procissão de São João na Agrovila 07. Crédito da imagem: Oeste ao Vivo.  Os festejos de São João, na Agrovila 07, em Serra do Ramalho (BA), começam com a levantada do mastro, dez dias antes da data em que se celebra o Santo: o dia 24 de junho. O mastro é pintado com as cores verde, branca e vermelha, tendo no topo uma bandeira e um estandarte com a representação clássica do padroeiro, aquela em que ele aparece com feições de adolescente. Em seguida à fincada do mastro, a bandeira é hasteada, para gáudio dos participantes. Até o início dos anos 2000, toda a preparação ficava a cargo dos irmãos Manelinho e Aurelino Maciel, que integravam também a banda de pífanos, à época já bastante idosos.  A historiadora Mary Del Priore traz uma informação contrastante a respeito da levantada do mastro no período colonial quando a levantada do mastro era feita pelos jovens: “Durante os festejos de São João, [os jovens] ajudavam a erguer o mastro diante ...