Não é surpresa para ninguém que sou fã de Nilza Dias, uma das maiores cordelistas do Brasil, além de ser uma grande defensora dos direitos das mulheres e das pautas ligadas à negritude e à conquista de espaços para todas nós, pretas, pardas, indígenas etc. Nilza já havia arrasado com a sua versão rimada de Orgulho e Preconceito (de Jane Austen), selecionada para o PNLD Literário, e agora volta com a mesma potência poética à recriação (ou seria transcriação?) de outro clássico de autoria feminina. A publicação marca a estreia de Nilza na coleção Clássicos em Cordel, da editora Nova Alexandria, a primeira do país a unir, no mesmo caçuá, a literatura de cordel e a literatura infantojuvenil. Úrsula é o único romance da maranhense Maria Firmina dos Reis. Mais do que isso: publicado em 1859, é o primeiro romance de autoria afro-brasileira em nosso país. Ou seja, quando foi escrito, a escravidão ainda era uma nódoa e, talvez por isso, a autora tenha assinado a obra sob o pseudônimo "U...
Ancestralidade matrilinear Tabajara Nossa ancestralidade (trecho) Vou contar-lhes um segredo Que aprendi como enredo E em cordel vou recitar. Sobre o povo Tabajara, Nas terras de Ubajara, Um velho vem me narrar Pra eu dizer pra vocês, Em meados de um mês, E o cordel finalizar. Segredo que tem história, Sempre viva na memória Na roda com o rapé. Força da ancestralidade, Nossa maior faculdade, É na dança do toré. Da criança ao ancião, Lá não tem religião, Tupã sempre está de pé. Se nosso Brasil voltasse, A ser mata e o rio brotasse, Assim você entendia O que eu quero lhe dizer: Que até pra se benzer, Com certeza voltaria. Não quero lhe assustar, Mas se assim for, Nem sei se descreveria. (...) Auritha e Lucélia. Lançamento do folheto Aldear a Educação (Sesc 24 de Maio)