Lucélia
Borges nasceu em Bom Jesus da Lapa, sertão baiano, e viveu muitos
anos em Serra do Ramalho, região do Médio São Francisco, em companhia da bisavó
Maria Magalhães Borges (1926-2004), uma grande mestra da cultura popular.
Produtora cultural, artista plástica, xilogravadora, contadora de histórias e
terapeuta holística, dedica-se à pesquisa das manifestações tradicionais do
interior baiano, com destaque para a cavalhada teatral de Serra do Ramalho e de
Bom Jesus da Lapa, tema de sua dissertação de mestrado apresentada à
Universidade de São Paulo (USP), defendida em 2020 Entre os anos de 2002 e
2006, cursou Letras/Inglês pela Universidade do Estado da Bahia UNEB-BA.
Produção
cultural
Foi idealizadora e curadora do projeto No Sopro da Cultura, realizado em Serra do Ramalho, Bahia, e apoiado pela FUNARTE. O projeto voltou-se à revitalização da banda de pífanos Irmãos Maciel, da Agrovila 07.
O cantor Paulo Araújo e a banda de pífanos Irmãos Maciel. |
Foi também uma das idealizadoras do projeto Cordel, a poesia encantada do sertão, aprovado pela SECULT/BA, e coprodutora da I Feira Nacional do Cordell (2014), realizada no Memorial da América Latina. Atou como coprodutora do Encontro com o Cordel, com curadoria de Marco Haurélio, realizado pelo SESC 24 de Maio, em 2018, com a presença de grandes nomes da música popular, do cordel e da xilogravura.
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No Espaço Cordel e Repente, na Bienal Internacional do Livro, em 2016. |
Xilogravura
Seu contato inicial com a Xilogravura ocorreu em 2016, no Espaço Cordel e Repente, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A retomada se deu em Lorena, interior de São Paulo, por meio de uma oficina realizada por Valdeck de Garanhuns e Regina Drozina, os quais considera seus mestres. Seu primeiro trabalho em xilogravura foi uma releitura do Pavão Misterioso, grande símbolo da literatura de cordel (abaixo).
Ilustrou diversas capas de folhetos para cordéis de Daniela Bento, Marco Haurélio, João Gomes, Pedro Monteiro, Paulo Dantas, Nilza Dias, Josenir Lacerda, João Paulo Resplandes, Maria Celma e José Walter Pires, além de coletâneas. Ilustrou ainda o livro A Jornada Heroica de Maria, de Marco Haurélio, que recebeu o Selo Seleção da Cátedra-UNESCO (PUC-Rio) e o Selo Altamente Recomendável da FNLIJ, além de ter sido selecionado para compor o Catálogo de Bolonha, Itália.
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A lenda da Iara. Xilogravura para folheto de Pedro Monteiro. |
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"O coelho e o leão". Xilogravura para o livro Ithale. |
Narração
de histórias
Lucélia tem colaborado ativamente com a recolha e difusão de contos populares do interior da Bahia, ao lado de seu companheiro Marco Haurélio, reconhecido cordelista e pesquisador da tradição oral brasileira. Colaborou, com Haurélio, nos livros Contos e fábulas do Brasil e Vozes da tradição (recolha e transcrição).
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Boca do Céu, 2022. Viviane Marques, Mari Bigio e Lucélia. |
Como narradora, se inspira em suas raízes sertanejas e, especialmente, em sua bisavó, Maria Magalhães Borges (1926-2004), de quem ouviu os primeiros contos populares ainda na infância. Já contou histórias no SESC São Paulo, Boca do Céu (Encontro Internacional de Contadores de Histórias) e em bibliotecas públicas de São Paulo.
Em
defesa da xilogravura e da presença feminina nesta arte e no cordel
Embora a xilogravura popular ocupe várias páginas do Dossiê de registro da literatura de cordel junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a presença de seus membros em fóruns e grupos de discussão tem sido relegada a segundo e, em alguns casos, a último plano.
Membra do Fórum da
Literatura de Cordel de São Paulo, e uma de suas coordenadoras, Lucélia Borges
enfrentou a misoginia e o machismo dos que negaram o seu lugar como detentora do bem patrimonial, incluindo uma tentativa
grotesca de silenciamento. Seu ativismo em defesa da xilogravura e da presença
feminina tem sido forjado nesses embates em que, nem sempre, há a solidariedade
por parte de seus pares.
"Pra cima do medo é a coragem", frase de Pai Jorge da Bahia, tem sido o mote de sua cruzada em prol da arte e contra o preconceito.
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